EMPRESA PORTUGUESA LANÇA UMA APLICAÇÃO PARA IR À BOLEIA NUM AVIÃO PRIVADO
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    EMPRESA PORTUGUESA LANÇA UMA APLICAÇÃO PARA IR À BOLEIA NUM AVIÃO PRIVADO

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    Viajar num avião privado pode não ser tão caro. Numa velocidade de cruzeiro económica, com vento favorável e sem esperas para descolar ou aterrar, o voo entre Benavente (a 60 quilómetros de Lisboa) e Braga durou 1h20. Se este tivesse sido um voo normal, o custo para o único passageiro (não caberiam mais) teria rondado os 35 euros. O valor inclui a viagem de regresso, o calor no cockpit, a trepidação a baixa altitude, o possível enjoo e a experiência de voar num aparelho muito mais leve do que um carro utilitário. E, ainda, uma vista que é impossível a partir das pequenas janelas dos voos comerciais. Este, porém, foi um voo de demonstração feito pela Skyüber, uma empresa portuguesa que está a desenvolver uma aplicação móvel para que qualquer pessoa possa apanhar uma boleia – e dividir as despesas – com pilotos que já tenham viagens programadas. Os primeiros voos deverão descolar no final deste mês de Agosto.
    Apesar do nome, a empresa não tem qualquer relação com a Uber, cuja aplicação permite chamar um carro com motorista. Também não quer ser uma versão de baixo custo das empresas que alugam jactos privados, nem concorrer com as companhias low cost, que estão a praticar preços cada vez mais reduzidos (este mês, a Ryanair passou a vender bilhetes a partir de cinco euros para o trajecto entre Lisboa e Porto).  
    A Skyüber não é uma empresa de transportes. É, antes, "um serviço de reservas" que quer pôr pilotos a partilhar os lugares vazios, frisa o co-fundador, Carlos Oliveira, um empresário e investidor de 38 anos, que foi secretário de Estado do Empreendedorismo entre 2011 e 2013. O outro fundador é João Paulo Girbal, 53 anos, antigo director da Microsoft Portugal e hoje sócio de uma escola de pilotos. Ambos são entusiastas da aviação.
    Carlos Oliveira explica que a empresa tem como alvo as pessoas que precisem de fazer voos curtos, bem como os curiosos da aviação e quem queira viver a experiência de estar ao lado do piloto. E ainda os pilotos que se queiram encontrar para voarem juntos. "É uma oportunidade para democratizar os céus. É para os entusiastas e para as outras pessoas, que podem ter acesso a algo que lhes estava vedado".
    Os aviões que se inscrevam na Skyüber poderão ser pequenos  ou ter uma capacidade máxima para seis pessoas. O sistema de partilha de custos permite ao piloto cobrar pelo combustível (alguns destes aviões funcionam com gasolina 95, igual à dos automóveis), pelo óleo, por eventuais taxas de descolagem e aterragem nos aeródromos e, se for caso disso, pelo aluguer do avião (muitos aeroclubes alugam aparelhos aos sócios).  
    Nem todos os voos serão tão baratos: uma aeronave de maior dimensão gastará mais combustível e, em alguns casos, combustível mais caro.
    Para Paulo Almeida, um instrutor de voo que pretende usar a plataforma, a Skyüber permite "partilhar o gosto de voar, as emoções do voo", numa altura em que é mais difícil encontrar com quem voar. "Noutros tempos, os pilotos privados procuravam conhecer-se, contactar uns com os outros através dos aeroclubes. Mas a vida acelera e nós não temos tempo para frequentar o aeroclube como fazíamos antes".

    Fonte: Jornal Público
    18-08-2015